"As piras de Angel..."

Dedico este blog ao Amor e às incógnitas da vida, responsáveis pelos mais belos insights. Caminhando rumo à evolução do corpo, da mente e da alma, eternamente...

"Espíritos fortalecidos de paz deixavam de chorar, neste tempo, grandes energias passeavam aos corações. Fomos lançados ao infinito..."

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O lilás dos céus


O céu hoje ficou lilás, minha cor preferida.
Leve, delicada, cheia de amor com um toque de espiritualidade.
Pra muitos pode ter sido apenas um céu bonito, pra mim foi cheio de significados.
Foi como um presente, um suspiro de esperança depois de um dia difícil, de dias mais intensos, mais pesados cheios de dúvidas.
Quando nos damos conta de que não sabemos nada.
Do quanto nossa pele precisa tocar, assim como o toque do meu bebê me traz a mais pura energia, reabastecendo... retribuindo a mesma energia à ele, meu filho amado.
Temos que buscar transcender sempre... mas também devemos ter a consciência de que somos parte de um mundo orgânico, o espiritual ainda não nos cabe por inteiro, caso contrário nossos olhos, ouvidos e todos aqueles que captam os sentidos não haveriam a necessidade de existir. 
Não se pode pensar em vivenciarmos os sentidos físicos apenas pelo instinto ou naquilo que é necessidade, mas na sua transcendência de fato, pois o físico, o material, também pode transcender.

Sou grata à absolutamente tudo que tenho na minha vida e no meu coração, e espero poder agradecer por anos e anos, cuidando, amando, tocando. Transcendendo no espiritual e no material. Sou grata por ter me sido dada a experiência corpórea, de tocar meus filhos, sentir meu perfume de lavanda, o sabor salgado das lágrimas, o som dos grilos como escuto agora.
Só podemos sentir a tudo isso pois somos feitos de matéria. Um anjo em outro plano por aí a fora muito provavelmente não tenha essas sensações. As sensações e percepções de um mundo espiritual devem ser outras, talvez algo mais próximo como tocar e enxergar com o coração, o coração da alma que acredito jamais morrer mas aí é algo que não nos cabe saber.

Como sempre digo, esse blog é meu cantinho virtual de idéias, desabafos para o além, nunca para pessoas específicas. Aqui eu gosto de refletir e compartilhar pensamentos e sentimentos.

E talvez seja mesmo o momento de me recolher um pouco... assentar tudo isso que está aqui dentro.
Dar um tempo de redes sociais ou de qualquer outra coisa que me traga sentimentos negativos ou que cubra como uma cortina aquilo que eu realmente preciso enxergar.
Aproveito o momento pra escrever mais, meu livro está a caminho. Acho que tudo tem o seu momento, e de repente senti que esse era o momento de concretizar um livro.

Os grilos cantam por aqui... Olhos baixos e peso nos ombros.
Preciso repor as energias.
Boa noite Vida, estou bem cansada mas também sou apaixonada.


sábado, 25 de dezembro de 2021

Segundo Sonho

 Eu e o mundo dos sonhos...

Este quero registrar, por se tratar de um sonho repetido, embora não tenha sido bom.

Esta semana sonhei que estava no banheiro e de repente vi muitas pintinhas vermelhas no meu corpo, principalmente na lombar e na barriga. Na lombar eram tantas as bolinhas que estavam tão próximas que chegavam a se encostar formando quase que uma coisa só.

Eram manchinhas de um tom de vermelho bem escuro, não aquele vermelho que fica na pele na cor de um arranhão por exemplo, mas um tom mais forte como se fosse um vermelho/roxo. Foi desesperador. Eu olhava pelo espelho assustada, meu marido também estava vendo e surpreso e assustado. E naquele desespero acho que acordei e não lembro mais.

O curioso é que já tive um sonho outra vez com várias manchinhas/pintinhas vermelhas no corpo, mas faz tempo, como não registrei não lembro-me da data nem como foi exatamente.

Nos dois sonhos a sensação foi a mesma. De algo que me pegou de surpresa surgindo de repente e me gerando muita preocupação e medo do que era.

Nesse mesmo dia também sonhei que eu, meu marido, minha filha e meu bebê visitávamos a minha mãe no cemitério. Estávamos lá caminhando assim como muitas outras pessoas também caminhavam visitando seus entes queridos, estava movimentado. Mas apesar de ser num cemitério este sonho não foi ruim, ao contrário do das manchinhas.

Se alguém que estuda sonhos souber e puder me dizer o que significa esse sonho com manchinhas, agradeço.


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Sonho Sem Fim


Fazia tempo que queria falar dela aqui... uma música que gosto de uma maneira especial desde pequena, como tantas outras do Yes.

Além de ser uma das minhas bandas favoritas, a canção traz uma bela mensagem. Vida, escolhas, momento de renascimento, amor e luz.

Dividida em 3 partes... Silent Spring, Talk e Endless Dream. Todas elas se complementam e tornam-se só. A última parte é minha preferida, mas sei que ela só é o que é também devido às outras que a antecedem. É como não pular etapas... tudo tem o seu momento. 

Inicia forte, a bateria e a guitarra de cara nos mostram como será a vida... forte, pesada, intensa, prepare-se para vivê-la com sabedoria.

De repente chega a tranquilidade do piano... e Trevor Rabin inicia suas palavras, aliás, sou super fã dele!

Mais notas do piano e entra a voz de Jon Anderson... a canção segue bela com suas mensagens.

Na última parte, Sonho Sem Fim... a guitarra de Trevor, impecável e intensa, assim como uma cortina que se abre dando inicio à um espetáculo, se abre de forma intensa, para que as vozes nos tragam mensagens de esperança, lucidez e transcendência. 

*Com o fone de ouvido fica ainda melhor!


Sonho de Fim

Mantenha sua cabeça erguida pois você sabe
Vem um longo caminho, um longo caminho
Sujo como um fugitivo sem nada a dizer
Tentação pode virar esperança, sua visão não se engana
Em nome de Deus você pode ser forçado a fugir

Andando sempre em frente para o único lugar que você conhece
Acompanhando por um indiscrição
Mudando conforme você for
Tentação pode virar esperança e sua
Consciência não esconde
A maior viagem que você fará será dentro de você.

É a última vez que eu digo a mim mesmo tudo
Me chame e então traga-me de volta
É a última chance de dizer a mim mesmo
Que eu acredito
Seu eternamente é meu e tudo o que eu preciso

Agora vida diga-me, agora em seus braços 
Tudo o que eu realmente preciso é você ao meu lado
Eu canto isso para para você e todo mundo, e tudo é que
Eu levo para você esse presente de amor

E o mundo gira, e o mundo gira
Tempo diga tudo que nós sabemos, olhamos para isso
Jesus no rádio
Defenda aquilo que conseguiu, eu darei a você descanso
Eterno imediato
A intensidade com a qual eu rezo depende de quanto você paga

É a última vez buscando nessa vida
Primeiro chamado em uma primavera silenciosa
É a primeira vez buscando nessa vida
Primeiro chamado em um primavera silenciosa
Medos agem mais profundo do que visionários
Gritos e lágrimas nunca justificam esse amor
Fale, fale, ouça!
Como as primeiras palavras que sempre se estendem
Fale fale
Como o primeiro som em uma primavera silenciosa
Fale, fale, ouça
Como as primeiras palavras que alcançam você
Fale, fale
Como o primeiro som que você começa cantar

Então espere sua vez
Olhe ao redor e veja
O maior do tempo é onde você está e realmente deveria estar
Eles falam tão alto
E tiram a esperança e paz do seu coração
Nós chamamos isso de render-se
Vagarosamente rumando ao norte
E esse sonho sem fim nos dá tudo
Nós estamos merecendo e vamos trazer isso de volta
É a última vez que digo a mim mesmo tudo isso
É a última vez que tragam-me de volta, tragam-me de volta

Quando o mundo te leva para baixo
Você pode procurar dentro de você 
Pelo amor que encontrará (e lhe trará de volta para casa)
Quando o mundo te leva para baixo
Você pode procurar dentro de você 
Quando o mundo te leva para baixo
Eu esperei por tanto tempo
Quando o mundo te leva para baixo
Você terá que jogar esse jogo da vida
Quando o mundo te leva para baixo
Então espera sua vez
Olhe ao redor e veja
O maior do tempo é onde você está e realmente deveria estar
Pois você é luz
Dentro dos seus sonhos
Pois você encontrará
É algo que me toca.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Inspiração

Você busca evoluir a cada dia?

Não apenas nos anseios e vontades, mas nas atitudes. 


Amar é cuidar. Inspiração, admiração.


Evoluir é subir um degrau conforme o tempo passa. Um degrau a cima na espiritualidade, na empatia, na emoção, no amor dentro do coração. 

Como fazer?

💡Comece julgando menos. Se tem algo na atitude alheia que você não concorda ou acha errado (na maioria das vezes é pura bobagem), procure colocar-se no lugar do outro em primeiro lugar. Todo mundo deve pensar e agir como você pra ser da maneira correta? Reflita: no decorrer de um dia você comentou a respeito da vida ou atitude de alguém de maneira negativa? Caso sim, busque entender que cada um é um e silencie a mente e as palavras. 

Preocupar-se menos com as atitudes dos outros é algo libertador, só tenho a agradecer por sempre ter sido assim em toda a minha vida. Gostaria de incentivar mais pessoas. 

Esta pessoa fez algo que lhe prejudicou? Machucou algo ou alguém propositalmente? Estes são casos isolados que merecem sim nossa reflexão ou comentários, do contrário, silencie.

💡 Olhe para dentro de você. Perceba seus sentimentos e suas atitudes. Elas são positivas? São negativas? De dúvidas ou incertezas? Não se culpe pelos seus sentimentos, mas busque perceber o porque deles existirem em você e abrace-os sem culpa. É somente refletindo sobre o que sentimentos que conseguimos nos direcionar para mudar ou manter certas emoções, do contrário estarão no nosso inconsciente apenas.

💡 Alegre-se com a felicidade alheia. A sua inveja além de lhe derrubar escada abaixo, transmite uma energia muito ruim para o invejado. As consequências não serão boas.

💡 Busque a simplicidade. tanto nas coisas como nas suas atitudes. Você pode mudar o mundo simplesmente mudando o mundo de alguém, de um animal ou de uma planta. O simples ato de cuidar já é algo valioso, o cuidado com o outro... nas palavras, no toque, no regar suas flores num entardecer, em uma boa mensagem ao amanhecer. Coisas que empurram o mundo lá pra cima, e nossas almas elevam-se com ele.

Ajudar em um projeto grandioso também é muito válido e de extrema importância. Mas que a gente não esqueça da simplicidade de viver.

💡 Inspire-se. Manter-se perto de boas pessoas. Acredito muito nisso, como em uma cesta de frutas. Se uma laranja apodrece, provavelmente apodrecerá as outras ao seu redor, simbolicamente falando. Com pessoas é parecido. Sim, todos temos defeitos e é preciso paciência e compreensão com o outro, mas é fato que devemos nos manter próximos de pessoas com boas atitudes, caso contrário, mesmo sem percebermos somos contagiados com atitudes negativas, estacionamos no degrau ou até mesmo somos intoxicados a caímos escada abaixo.

Por isso a importância de nos aproximarmos de pessoas que sobem os degraus do espírito. Estas nos contagiam com sua luz, nos inspiram, incentivam, e nos empurram escada à cima. São pessoas que mesmo diante de dificuldades, nos mostram a leveza e impermanência de se viver.

Você tem pessoas assim na sua vida? São raras mas há muitas delas... Seja grato por elas e busque ser também alguém de inspiração.

Inspirar o ar e respirar a vida... Buscar almas queridas, paz no coração.


"Amar é a única maneira de captar outro ser humano no íntimo da sua personalidade. Ninguém consegue ter consciência plena da essência última de outro ser humano sem amá-lo. Por seu amor, a pessoa se torna capaz de ver os traços característicos e as feições essenciais do seu amado; mais ainda, ela vê o que está potencialmente contido nele, aquilo que ainda não está, mas deveria ser realizado. Além disso, através do seu amor, a pessoa que ama capacita a pessoa amada a realizar estas potencialidades. Conscientizando-a do que ela pode ser e do que deveria vir a ser, aquele que ama faz com que estas potencialidades venham a se realizar."

Viktor Frankl


terça-feira, 2 de junho de 2020

Quem cuida de nós?

Se oramos pelos outros, quem ora por nós?
Se cuidamos dos outros, quem cuida de nós?

Longe de querer algo em troca... pois assim deve ser, mas é preciso voltar os olhos para mim mesma.


São nos momentos difíceis que conseguimos visualizar e entender certas coisas.

Até que ponto abrir mão de nossas vontades mais profundas e de nossos sonhos pelo bem dos outros é o certo a se fazer?

Doar-se, fazer pelos outros, cuidar, amar.... são coisas essenciais para nos tornarmos seres mais evoluídos, altruístas e até mesmo completos. Mas até que ponto tudo isso vale mais do que a nós mesmos?

São nos momentos difíceis que conseguimos visualizar e entender certas coisas. 
E eu entendi que sempre fiz muito pelos outros, e não o suficiente a mim mesma. 

Um bom exemplo disso foi no momento da morte da minha mãe, e se eu pudesse voltar atrás nesse dia eu faria diferente.
Ela deitada na cama do hospital, já sem consciência mas com a respiração bem forte e profunda. Fiquei ali ao lado dela, segurando em uma de suas mãos, que já estavam ficando roxas. Eu só saí do quarto para conversar com a médica ou atender ao meu telefone pra falar a respeiro dela. Mas no momento em que seu coração parou de bater, o que pude ver na minha frente, eu saí do quarto para avisar a equipe de enfermagem do que já esperávamos, tentei amparar meus avós que ali também estavam, para que fosse o menos pesado possível à eles, e à todos, cuidando ao máximo daquela situação que antes eu só via nos filmes.
E então saí do hospital pra resolver coisas do velório e enterro, apesar de inconformada, eu era a mais racional naquele momento, por isso decidimos que eu iria. Sim... eu com aquela cara de choro e grávida de seis meses, tive que escolher detalhes do velório, eles fazem um monte de perguntas sobre como deveria ser... flores, o véu que vai por cima, o tipo de caixão, velas... eu respondia ao que achava melhor, mas nada disso importava... só queria sair daquela sala, mas também sabia que era necessário que fosse feito por alguém, e alguém muito próximo à minha amada mãe, eram detalhes que já não importavam mais, mas era preciso fazer.

E aqui vem o que eu deveria ter feito e não fiz... mas só hoje me dou conta disso. No momento eu nem pensei no que eu queria fazer, somente naqueles que eu amava.
Eu poderia sim ter feito tudo o que fiz, este não é o problema, o problema foi algo que não fiz.

Exatamente quando o coração dela parou de bater, eu queria ter ficado quietinha ali, do lado dela, colocar meu rosto no dela, e orar. Orar por aquela bela alma que ali já não mais estava. Era só isso, eu e ela em conexão naquele momento intenso de passagem e mudança de vida. Como uma breve meditação, conexão... ou simplesmente ali não fazer nada, só fechar os olhos e sentir, ficar. Mas eu estava longe dela espiritualmente justamente naquele momento, resolvendo coisas e cuidando dos outros. Sinto tanto por isso, aquele momento não vai mais voltar...
Até mesmo no velório eu conversei com as pessoas queridas, mas o que de fato eu deveria ter feito foi ficar quietinha me conectando à ela.

Longe de me culpar pelo que não fiz, afinal sei que em um momento intenso como aquele, a realidade fica um pouco alterada, mas é importante refletir sobre meus anseios.
Queria muito ter feito, mas não fiz.

Este ocorrido foi apenas um exemplo. Fiz tudo aquilo para que as pessoas que amo sofressem "menos", para que fosse tudo um pouco "menos" doloroso. Mas e eu? Às vezes esqueço que existe uma pessoa aqui dentro... com vontades, emoções e sentimentos.
Se naquele momento da partida da minha mãe eu tivesse feito o que eu queria, mas que naquele momento nem me dei conta disso, eu não conseguiria dar tanta atenção à minha família ali naquele quarto... são coisas incompatíveis.

Qual o certo a fazer durante nossas vidas?

No momento, talvez seja a conexão comigo mesma... no silêncio entre uma e outra batida do coração.

O outro importa sim, e muito. Diria até mesmo que é através do fato de cuidar e amar o outro que a vida nos dá um certo sentido. Mas até que ponto devemos, mesmo sem ter consciência, ignorar a nós mesmos?


quarta-feira, 27 de maio de 2020

O curioso caso das borboletas...

Curioso como certas coisas ocorrem de forma sincronizada.

Já relatei aqui no blog a respeito das minhas sincronicidades envolvendo borboletas. Algumas vezes me deparava com elas no chão exatamente onde eu pisaria, em outra vez encontrei uma em cima do meu carro e minha mãe também encontrou outra em cima do carro dela exatamente no mesmo dia e mesmo horário. Outros foram sonhos...
Todos estes fatos curiosos já estão relatados aqui no blog.

Mas o que me levou a escrever agora é a respeito do que tudo isto pode significar, bem como de outros curiosos ocorridos posteriormente.

Manhã do dia 24 de março de 2019...
Era dia do batizado da minha filha, e tive que ir as pressas atrás do altar (era uma parede fechada) pra trocar a fralda dela, que havia feito cocô e vazado tudo na roupinha linda do batizado. Quando eu estava lá atrás durante a missa, após trocar a fralda e a roupa dela, me deparei com uma borboleta pousada sobre uma mesinha de madeira. Um sinal claro da minha mãe, tanto pela minha coincidência com ela e as borboletas nos nossos carros, como por chamarmos ela de borboletinha, e minutos antes dela partir, minha irmã disse à ela, que já estava sem consciência... "voa borboletinha, voa".

Borboleta na mesinha

Naquela mesma semana, eu, minha irmã e minha bebê, fizemos uma visita ao médico da minha mãe na clínica dele, para agradecer tudo o que ele fez por ela, conversamos bastante como sempre fazíamos nas consultas médicas da minha mãe, eu lhe contei rapidamente de um sonho que tive com ele no qual ele não estava muito bem, então disse para ele se cuidar, mas ao mesmo tempo sem o alarmar. Na saída, como de costume, ele nos acompanhou até a recepção grande e bem iluminada da clínica e continuou ali com a gente enquanto nos despedíamos das secretárias. Neste momento, uma borboleta grande entrou pela porta de vidro e voou sobre nós. Todos viram, não sei se é comum borboletas entrarem naquela recepção mas em anos indo lá uma vez na semana para as consultas da minha mãe, foi a primeira vez que vi.
Senti como uma presença da minha mãe ali, de alguma forma.
Contei para ele do ocorrido no batizado, naquela mesma semana, achando que ele fosse "debochar" pois era mais cético e tínhamos liberdade para falar de tudo... Mas ele então disse em tom sereno... "Gisele.", ele tentou colocar a borboleta pra fora, depois olhava fixo e pensativo no rosto da minha bebê. Depois ele nos acompanhou até o carro, estava bem pensativo... coloquei minha bebê na cadeirinha e antes de entrar no carro posso lembrar do seu último aceno levantando uma das mãos com um sorriso discreto de cumplicidade... naquele momento algo me veio em mente... "quando será que o verei novamente?".

Manhã do dia 24 de agosto de 2019...
Era um dia nublado e eu estava sentada na poltrona dando mamá pra minha filha quando fiquei sabendo da morte do querido médico da minha mãe, praticamente cinco meses depois da minha visita à clínica dele final de março. Não era apenas um médico, era alguém especial pra ela e para nós.
Terminei de amamentar, e ainda um pouco transtornada pela notícia, me levantei e fui até meu quarto, imediatamente me deparei com uma borboleta pousada na janela do meu quarto. Tudo de repente fez sentido, era como um sinal dele... da partida daquele grande médico. Em mais de 3 anos morando ali nunca vi uma borboleta pousar na minha janela.
Tirei uma foto para registrar... antes que ela voasse, mas ela não parecia ter pressas em voar, ficou ali parada por um bom tempo, mais de uma hora talvez. Senti claramente que era para eu ver.

Fazia tempo que eu queria postar sobre essa foto.

Manhã do dia 24 de abril de 2020...
Eu dirigia sozinha no carro ao ir para uma consulta médica, quando uma borboleta grande e preta surgiu na minha direção e bati nela com o carro, olhei rapidamente pelo retrovisor e pude ver em fração de segundos ela caída no chão.  Não deu tempo de desviar pois era uma rápida, eu estava na pista do meio, fiquei triste em ter atropelado a pobre borboleta, não gostei da sensação que tive mas logo tentei esquecer.

Curioso como estes três fatos ocorreram no mesmo dia numericamente falando, todos eles pela manhã ou final da manhã.
Mais curioso ainda, ao começar a escrever este post, que seria apenas pelas coincidências dos fatos envolvendo borboletas, me surpreendi e me assustei com uma descoberta... assim que eu recaptulava os acontecimentos, percebi e constatei que ambos ocorreram nos dias 24!

Talvez eu esteja vendo coisas onde não exista nada, afinal eu sempre fui e ainda sou um pouco idealista e sonhadora, por outro lado, sinto que possa ser algo. Mas o que?
Uma mensagem?

Alguém pode me ajudar?!

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Pra elevar a alma...

Confesso que a brisa fresca da madrugada que tocou meu rosto, também me inspirou. Mas eu já queria escrever a respeito.

Fim de tarde... Outubro de 2017

Longe de querer perder tempo de vida falando na morte, mas é por uma válida reflexão.
Uma reflexão de vida e positiva.

Por que nosso corpo, a textura da pele, timbre da voz, brilho dos olhos, dos cabelos... por que tudo isso é tão importante se um dia deixaremos tudo isso pra trás? Um dia seu corpo estará sem vida, e na terra ou no fogo se dissipará.

Talvez nosso espírito seja o X da questão. Talvez seja ele nosso maior bem, pois acredito que ele continuará.
Por outro lado, é através do corpo que vivemos, que respiramos, que experimentamos sentimentos e sensações que sem ele não poderíamos sentir. É tão complexo tudo isso que meus pensamentos estão a mil por hora, impossíveis de serem transcritos apenas em palavras aqui.

Parece um paradoxo...
Um tremendo paradoxo.

Temos que cuidar de algo que é essencial pra nossa sobrevivência aqui, mas é justamente esse algo que não terá valor algum um dia, e lá estará inerte completamente sem vida, abandonado, não no sentido de esquecimento, mas em ser deixado para trás por toda aquela energia que o movimentava.

É... parece mesmo que há algo ainda mais valioso.
Algo que para algum lugar irá... e valor também temos que dar.

Quando olho para minhas unhas, olhos, pele... me incomoda saber que são finitos, breves. Por que as pessoas dão tanta importância à tudo isso nos outros? Que superficial, não? É como se não enxergassem o profundo, o essencial. Eu mesma estou tentando exergar meu próprio "Essencial", não é um trabalho fácil. Quem sou eu além do físico?
Gostaria de enxergar, mas ainda não consigo. É complexo.

Ao mesmo tempo que me incomoda, sei que assim deve ser... e que sempre foi, desde que o mundo é mundo. E então um novo olhar abre uma grande porta.
Nela há tudo aquilo de que realmente somos feitos... uma energia infinita com incontáveis lugares a vivenciar... só que de uma forma diferente. Não sei o que há, mas me parece um pouco "lógico".

Talvez o que vale seja estar ciente dessa perda que um dia teremos, a perda do nosso próprio corpo. Mas que saibamos valorizá-lo, cuidar sim das unhas, dos nossos órgãos, olhos, cabelos e pele... buscar sentir, de maneira profunda e não superficial, tudo aquilo que nossos sentidos podem nos proporcionar... para nos elevar.

Talvez precisemos desses sentidos proporcionados pelo corpo físico para que nossa alma vivencie o que precisa vivenciar para evoluir.
É como sentir aquela brisa tocando o rosto... traz a sensação de paz, a alma de alguma forma sente.
Sentir a pele macia da minha filha me energiza.
Um lindo pôr-do-sol parece penetrar nos olhos e encher a alma de vida.
Uma bela canção pode tocar não somente nossos tímpanos, mas todo o nosso Ser.
O perfume de uma flor parece nos conectar com a natureza.
O salgado da água do mar, o mesmo daquelas lágrimas de alegria... nos faz sentir vivos.

Nossa alma com certeza vivencia isso. E talvez ela precise disso ainda mais que o próprio corpo.

Talvez por isso sempre gostei tanto da transcendência das coisas... pois ela é aquele vôo que nos faz tirar os pés do chão pra vermos o céu de perto, é como beijar as nuvens sem sair do lugar.

domingo, 12 de abril de 2020

Aquelas nuvens...

Nuvens em um fim de tarde de abril...

Estava na casa da praia do meu avô que já faleceu.
Até parecia um dia bonito no céu... 
Ao longe... de um lado do céu estava um grupo de nuvens cruzando-se entre si em alta velocidade devido ao vento forte entre elas.
Olhamos para o outro lado, lado oposto, e também havia outro grupo de nuvens da mesma forma. Era uma tempestade se formando.
O céu não estava escuro, estava relativamente aberto... até mesmo com alguns poucos raios do sol refletindo nessas nuvens, que estavam com muitos relâmpagos.
Estava muito perto agora, quase chegando. Era assustador ver que aquela tempestade toda chegaria até nós.
Era previsível que seria uma tempestade muito forte quando chegasse.
Corremos pra dentro de casa. Ela chegou. Chegou rápido.
Então um forte relâmpago atingiu a caixa do sistema elétrico da casa, houve uma explosão e não lembro mais.

Registro do meu sonho do dia 08/04/2020

Eu e o mundo dos sonhos.... e aqui ficam algumas curiosidades que me fazem questionar.

Depois deste sonho com a tempestade chegando, acho que no dia seguinte, sonhei que estava no carro com minha mãe, ela estava dirigindo e eu estava contando a ela sobre este sonho que tive, falando das nuvens. Só lembro disso. Um sonho dentro de outro sonho, em um dia diferente.

Outra curiosidade que acabei não registrando aqui na época. Certa vez, tive três sonhos seguidos com vampiros em dias diferentes e muito próximos. Eram muitos vampiros e eu estava perto deles, não foram sonhos bons, em um deles havia um caixão sendo levado por uma correnteza.
Fiquei curiosa e inquieta em saber o que significavam e o porque dos vampiros, pois eu nem assisto filmes de terror há tempos e não estava pensando em vampiros naquele período.
Naquele mesmo mês destes sonhos, tive uma hemorragia muito intensa em um procedimento, a ponto de cogitarem fazer uma transfusão de sangue.
Pronto, tudo então fez sentido pra mim. Do porque dos sonhos seguidos com os vampiros.

Outra coisa que lembrei então foram dos sonhos que tive há uns anos com sangue saindo do meu corpo de formas diversas, e eu em uma cama de hospital em um deles... foram alguns sonhos desses que relatei inclusive aqui no blog na época.
Se estes sonhos, tanto com os vampiros quanto com as perdas de sangue, não tem a ver com a hemorragia que tive na época, então a "coincidência" é imensa.

Certa vez... há alguns anos, não lembro quando pois não registrei na época,  tive um pesadelo em que eu estava no velório da minha própria mãe, lembro de certos rostos de conhecidos, era muita gente naquela sala grande e ampla de mármore... tão grande como a angústia que senti naquele sonho, de peso, da perda da pessoa que eu mais amava. Que sonho pesado. Acordei muito mal deste pesadelo, procurei não pensar muito nele pra que aquilo não se realizasse. Mas eis que anos depois se realizou... e pude reviver aquele peso e inclusive ver aquele mesmo rosto daquele conhecido que havia visto no pesadelo de anos antes, pesadelo este que me incomodou muito, mas que pelo fato da minha mãe estar muito bem na época, fiquei tranquila e deixei pra lá.

Diante destes sonhos que de certa forma vivenciei na vida real, fica a pergunta... do que seria este meu último sonho com a tempestade chegando? E as nuvens correndo com o vento? O raio que acertou a casa em que eu estava?

Sei que sonhos são muito pessoais e dependem de inúmeros fatores, mas talvez a essência de suas mensagens seja a mesma. Sei lá.

Tenho sonhos bons também, antes que pensem que só vivo de pesadelos rsrs... mas pelo fato destes me marcarem e me incomodarem, acabo registrando mais estes.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Minha inspiração...



A melhor fase da vida...

Fase em que tive a bênção de ser mãe.

Filha, gratidão por tudo isto que estou vivendo...por todos os melhores sentimentos... gratidão por você "simplesmente" existir!

A melhor fase da vida...

É um paradoxo pensar que me encontro justamente nesta fase sem a presença da pessoa que sempre foi a mais importante da minha vida, minha mãe.

Minha mãe...
Não há palavras para descrever esta mulher. Dedicou sua vida à sua família, à seus filhos, que eram seu bem mais precioso.
Com ela não havia tempo ruim, mulher linda, olhos grandes e azuis, mulher forte, alegre, decidida, mãe de três filhos, avó da Yasmin.

Se eu pudesse diria à ela que ela faz uma falta imensa aqui... mas que também sou imensamente grata por ter tido a sorte de ter uma mãe maravilhosa como ela.
Uma mãe que faleceu jovem, aos seus 50 anos de idade, mas que eu preferia tê-la assim mesmo a ter outra mãe que chegasse aos 80 anos.
E desde o dia do sepultamento, naquela tarde ensolarada do dia 2 de julho de 2018, já em casa deitada na cama com um sentimento profundamente negativo da perda, fui abençoada com um sentimento oposto, um sentimento de que minha mãe jamais deixou a peteca cair, jamais se entregou no sofrimento, mesmo diante de difíceis momentos. Já a vi chorar sim, mas nunca entregue naquela tristeza. Ela só não resistiu quando estava na cama do hospital dias antes de falecer, seu corpo já não mais permitia resistir, mas sua vontade de vida era imensa, jamais se entregou. E foi por este mesmo sentimento mágico de força que fui dominada naquele instante, de repente, naquele fim de uma tarde de sol, pelo sentimento de não deixar a peteca cair.

Imediatamente me levantei da cama.
Haviam louças para lavar, cama para arrumar, e uma vida a continuar.

E aqui estou desde então. Só pode ser coisa dela, talvez de Deus, mas é dela. Não pode ser humana uma força repentina como aquela.

Chorei sim, vivenciei a dor do luto, mas não me afundei nele e sou muito grata à isso.

É na presença da força da minha mãe que existe também a minha.
É me espelhando na mãe maravilhosa que ela foi que pretendo ser para Yasmin ao menos um pouco do que ela foi pra mim.


É com este sorriso e esta ALEGRIA que pretendo viver e cuidar da minha filha por toda a minha vida! E além.
Como sempre dizíamos uma para a outra: Te amo infinito...

Ela conheceu Yasmin...

Eu estava grávida de 6 meses quando minha mãe se foi.

Passei toda a minha gestação entre visitas e mais visitas ao hospital. Internada, minha mãe dizia para eu deitar com as pernas para cima em casa e tomar um chá, mas não era possível.
Mal sabia ela que eu estava numa correria imensa entre hospital e minha rotina de grávida. Mas eu fazia tudo com todo o meu coração.

Não foi uma gestação tranquila, minha mãe estava na sua pior fase física em toda a vida, com os sintomas da doença agravados.

Yasmin é forte.

Passou por tudo isso dentro da minha barriga.
Minha mãe passou por uma cirurgia de retirada dos ovários quando eu estava no primeiro mês de gestação, mas ainda não sabia que estava grávida.
Na recepção do centro cirúrgico, foi uma espera tomada por aflição e ansiedade.
Na cirurgia ocorreu tudo bem, mas mal sabíamos nós tanto da gravidez como que os sintomas da doença viriam a piorar em poucas semanas.

Ela soube da Yasmin...

Fraca, sentada no sofá da sala e com dores, ela derramou um choro forte de emoção, euforia e alegria quando disse à ela que ela seria avó.



Fizemos um bolão com a família sobre qual seria o sexo do bebê...essas são as mensagens que minha mãe escreveu lá no grupo do bolão...




Minha mãe foi a que chegou mais próxima do resultado correto! (sexo e dia do nascimento). Não houve um ganhador.

No aniversário de 50 anos da mamy dia 03/03/2018, quatro meses antes dela falecer, fizemos uma festa surpresa pra ela apenas com a família. Ela chorou de emoção assim que viu a surpresa e disse que nunca na vida teve uma festa surpresa. Ironia pensar que foi a primeira mas também sua última festa de aniversário. Compramos muitas decorações diferentes, organizanos tudo para que ela tivesse uma festa especial, mas todo trabalho valeu muito a pena!
Essa talvez seja a única foto em que Yasmin aparece dentro da minha barriga ao lado da vovó tão amada!
Eu estava grávida de 2 pra 3 meses.









Dias depois, quando descobrimos que era uma menina...


Por diversas vezes nas minhas visitas ao hospital, ela acariciava delicadamente minha barriga de uns 5 meses, com as pontinhas dos seus dedos em um movimento de fechar e abrir as mãos e dizia: "Cuida dela". Era muito especial sentir o toque das suas unhas com as pontas dos dedos. Emocionante. Eu tinha que fazer um esforço para não chorar na frente dela.
Ela disse também por algumas vezes: "Tenho que estar mais forte quando Yasmin nascer pra poder pegar ela no colo".  Assim como também disse que se ela pudesse ir no chá de bebê, iria colocar uma roupa bem linda. Daí falei pra ela não se preocupar com o chá que talvez eu nem fizesse (por tudo que estava vivendo com minha mãe, eu não tinha condições de ver nada de chá, nem ânimo e nem vontade), foi então que ela me disse pra fazer o chá sim, independente de como ela estivesse, falou que a Yasmin não poderia ficar sem chá o chazinho dela. Aquilo me doía por dentro, mas eu não tinha o direito de passar ainda mais tristeza pra ela, por isso eu procurava sorrir ao lado dela.
Depois que ela nos deixou, respirei fundo e fui atrás de tudo para o chá, vi tudo praticamente sozinha, nos meus dois últimos meses de gestação, meu irmão e minha cunhada ajudaram com algumas coisas, minha avó e minha irmã com as lembrancinhas, e meu marido claro que sempre foi parceiro em tudo.  Fizemos uma festa grande e por isso o trabalho também foi grande. O chá acabou ficando para o último mês, no mesmo mês em que a Yasmin nasceu.

Como ela falava da netinha...
Dizia pra eu tomar cuidado pra não cair, pra eu descansar. Me proibiu de subir e descer escadas.

Ela conheceu Yasmin....

Foi quando levei o vídeo da ecografia gravada pra ela ver no notebook no quarto do hospital.
A alegria dela em ver a netinha, mesmo que por aquelas imagens, era imensa!

Ela assistiu sentadinha na lateral da cama do hospital, apoiamos o notebook na mesinha onde ela fazia as refeições.

Essa foi a última vez que ela pode ver a netinha.




Quando ela perguntava que tamanho estava a Yasmin, eu comparava com o de um limão, pois era o que dizia na internet.

E fica na minha lembrança algo que ela sempre me perguntava:
"Como está o meu limãozinho? "



Dia 05/06/2018, menos de um mês antes da mamy falecer, registramos essa foto na minha casa.
Foi no dia em que levamos mamy numa consulta médica na clínica, entre os internamentos. Os médicos não imaginavam que ela iria para casa, mas conseguiu devido à uma melhora inexplicável.
Foi pra casa, mesmo assim continuou bem fraquinha, ficou pouco menos que duas semanas em casa e infelizmente piorou novamente, retornando ao hospital pela última vez.
Neste dia após a consulta na clínica, havíamos combinado de ir até a minha casa depois pra vermos as roupinhas que Yasmin ganhou até então. Foi a primeira e única vez que minha amada mãe conseguiu ver as roupinhas da netinha.



Um dia antes, 04/06/2018, eu e Ale fizemos o convite pra Paty ser a madrinha, curioso que mamy chorou muito durante o convite, emocionada em ter vivenciado aquele momento.
Entre os internamentos, ela dormiu na casa dos meus avós, pois ela precisava muito de cuidados e carinho.
Uma noite em que o Ale teve plantão aproveitei pra dormir lá, dormi no sofá cama de casal junto com ela, de mãos dadas... nessa fase ela dizia que queria apertar nossas mãos, que se sentia segura. Os sintomas da doença eram muito cruéis com ela.
Mas que bom que ela pôde sair do hospital um pouco pra viver momentos especiaias, mesmo que poucos dias com a família.

No dia em que ela nos deixou, eu segurava na sua mão esquerda quando pude ver seu último suspiro... e ouvir a última batida do coração. Sim... era como se eu pudesse ouvir.
Mix de sentimentos...
Aceitação... força... angústia... indignação pela injustiça por aquilo tudo... e mais... eu sentia muito mais sentimentos... sentimentos sem nome, indefiníveis.

Hoje só tenho a agradecer pela pessoa iluminada que tive a bênção de ter como mãe.
Ficam as lembranças tão fortes de detalhes vividos...

As sopinhas que ela preparou inúmeras vezes quando estávamos doentes.
Os lanchinhos saudáveis na lancheira pra levarmos pra escola... sanduíche com tomate... suco de laranja natural que ela fazia em casa.
As manhãs despertadas por ela... ela deitava na cama de cada um por uns minutinhos antes de se arrumar pra ir para o colégio. Era tão bom que tanto nós quanto ela, tínhamos vontade de ficar ali sem ver o tempo passar, mas o colégio esperava e a escola também era importante.
As bolachinhas caseiras que ela fazia...
Os pães caseiros... quentinhos saindo do forno.
Os beijos... os abraços...
As festinhas de aniversário que ela preparava com amor, sem reclamar do trabalho... e olha que a sujeira ficava toda em casa... não existiam buffets... ela dizia que no final, tinha brigadeiro até na cama.
As voltas e voltas de carro naquelas ruas tranquilas da praia pra ensinar a dirigir. Era tão bom aprender com ela... Era paciente, não brigava, entendia que éramos crianças (sim, eu aprendi a dirigir quando criança) e que não nascemos sabendo tudo aquilo. Só falou mais firme quando teve que puxar o freio de mão pois eu ia reto a toda velocidade direto pra valeta! Eu chorei pelo que fiz sem querer, não pela bronca leve dela.
As cestinhas de Páscoa que era fazia todo ano pra nós... fazia toda a confecção.
O tempo foi passando... e o cuidado continuando... se transformando...
Eram as noites que ela buscava e levava pra balada...
Chegávamos em casa de madrugada famintas, e quando ela estava acordada, lá estava ela feliz pronta pra ouvir nossas novidades... se tínhamos nos divertido, as músicas que dançamos... se tínhamos beijado algum rapaz, ou fazendo fofoca de alguma menina chata ou invejosa que la encontramos. E fazendo um lanche na mesa da cozinha, conversávamos, ríamos juntas madrugada a dentro.
As caminhadas na praia....
Depois veio a doença dela... e com ela consultas médicas toda semana juntas...
Viagens pra exames...
Mas também foi aí que iniciaram os brindes... com copo de água, suco ou cafezinho...
Foram muitos e muitos cafezinhos fim de tarde... não perdíamos oportunidades.
Encontros de última hora na sorveteria...
No almoço...
Na confeitaria...
Pra ver um filme com pipoca e lemon pepper no qual ela quase sempre dormia...
Ou simplesmente pra ver as lindas cerejeiras na praça.
Tudo se tornou mais intenso. Mais profundamente vivido.
Pequenos momentos tornaram-se grandes eventos.
E é assim que vivo até hoje e que espero sempre viver.



Impossível escrever todas as lembranças... São inúmeras!

Educou seus filhos de maneira leve, tranquila, sem muito rigor e grandes disciplinas. Mas sempre soube dizer não. Ela focava mais nas consequências... "vc pode fazer isso ou aquilo, mas arque com as consequencias depois"
Conclusão: eu não queria fazer coisas erradas... seja usar drogas, sexo precoce ou sem cuidados... eu simplesmente me afastava dessas coisas porque nao seria bom pra mim, e não por medo da autoridade da minha mãe. Talvez por isso eu tenha demorado mais pra dar o primeiro beijo ou ter tido a primeira vez... porque eu não queria beijar qualquer um.
Eu não me interessava por drogas, não por medo do que ela diria, mas porque eu simplesmente não queria... até porque a primeira vez que experimentei algo depois de adulta ela foi uma das primeiras pessoas a saber. Ela sempre soube.

Hoje como mãe posso dizer que li livros e artigos sobre educação, e a que mais me identifico é a educação feita por ela. E não é porque foi minha mãe, mas é porque educou com todo o coração, e tudo aquilo que fazemos com o coração é o melhor caminho a se seguir.
Sim, sempre há o que melhorar... perfeição não existe.
Ela não leu livros a respeito, pelo contrário, engravidou e desde muito cedo teve muitas responsabilidades. Jamais tercerizou, ela não gostava de deixar seus filhos com outras pessoas, mesmo que da família, pois ela dizia que a infância passa muito rápido e ela queria aproveitar aquilo tudo.
Quando criança eu assistia à novelas com ela, e nem por isso sou menos inteligente, que bom que era!
A cama tínhamos que arrumar nós mesmos.
Eu e meus irmãos éramos crianças muito educadas... todos diziam isso. Coisas simples... jamais pedimos comida na casa de visitas, sabíamos onde era o nosso lugar, mesmo tendo muita liberdade.
Ajudar nas coisas de casa, na louça e brincar  estavam em primeiro lugar. E como eu brincava. Cantava... inventava letras de músicas.... dançava... dançava muito ao som alto, ela deixava, feliz sem reclamar nada.
Eu não era nenhuma intelectual que desde bebê lia livros, e talvez isso seja muito para uma criança. Eu lia gibis, livros sobre animais, sobre astronomia com imagens das galáxias. Eu mais observava as imagens do que lia, claro. E brincava... pegava na terra, na grama, abraçava e subia nas árvores do quintal, pisava na areia, mergulhava no mar, na piscina... me sentia sereia.

Ela sempre teve uma sensibilidade maior, e isso eu sempre tive assim como ela.
Sempre fomos uma sintonia da outra, apesar de diferentes em personalidade. Eu complicava as coisas... dramatizava... ela ja era prática e descomplicada. Jamais emburrava!
E isso foi o que mais aprendi com ela nessa vida... a descomplicar... muito já melhorei... mas sempre há o que melhorar mais!
Ela tinha um sexto sentido aguçado... eu também sempre tive.
Até coincidências com borboleta já tivemos... uma delas relatei aqui no blog, até hoje não entendi qual o significado dela, qual a mensagem. E desde que ela se foi... borboletas surgiram em momentos um pouco inexplicáveis.

Uma pessoa que eu jamais imaginei perder tão cedo, aquela mãe que vc ama tanto que imaginar a vida sem ela era algo impossível, fora de questão, e veja onde a vida me levou... pra onde eu mais temia. A gente acha que nunca vai acontecer com a gente, até acontecer. E ver que uma doença ou seja la o que for não ocorre com quem merece ou quem foi sofrido. Ocorre com todos, incluindo as pessoas mais puras e boas.

Faz muita falta, o sonho dela era ser avó... dizia que queria plantar na horta com a netinha, mas sonhos as vezes ficam nos sonhos... na nuvem de algum lugar etéreo... lá ele está.
Sinto por ela não ter tido essas oportunidades... ela merecia viver tanta coisas boa ainda... curtir os netos...viagens... beijos... uma porta de carro abrindo e flores recebidas nas mãos numa noite qualquer... mais viagens... livros publicados e muitas criancinhas lendo.... mais banhos de sol e aperitivos na piscina... olhar pra montanha de neve com o verde das árvores iluminada pelo sol em Interlaken, que quando fui pra lá pensei: minha mãe tem que ver isso um dia!... Mas nem tudo é como a gente quer. Nos cabe agradecer e olhar para o que temos... para o que vivemos.

Não tenho arrependimentos...
Abracei... cuidei... dei flores... cartões... beijei... apertei... amei!

E como disse ela olhando para o altar de uma igreja vazia no meio da tarde, um dia antes de ir pra cirurgia, tão fraquinha que com muita dificuldade andava... se sentou la atras, olhou para o altar e disse com voz de alívio, como que em um suspiro: "Gratidão pela minha vida, Senhor".

Talvez qualquer outra pessoa no lugar dela iria pedir mais e mais... incluindo pra melhorar. Mas ela somente agradeceu, por tudo o que viveu.
Há sabedoria maior que essa?

Que mulher incrível... E como sabia realmente viver!

É e sempre será minha maior inspiração.


segunda-feira, 3 de junho de 2019

O Ser que Somos...

Faz tempo que queria escrever a respeito...

Uma vida. Um ser que se move com seus ossos e músculos...
Que enxerga com seus olhos...
Que fala com suas cordas vocais...
Que sente com as mãos...
Que pensa com seu cérebro.
Que vive com o bater do coração.

São coisas todas materiais, e temos que reconhecer a importância do nosso organismo para existirmos aqui, ele é o veículo pelo qual nossa essência pode se manifestar nas condições físicas desse planeta.

Só que muitos não dão a devida importância ao seu corpo. Não percebem o valor de que são feitos, da veste que lhes foi emprestada um dia e que um dia lhe será retirada, como uma roupa velha que já não é mais possível usar, mas que um dia foi uma roupa nova e cheia de vida.

Mas não é de corpo que quero falar aqui... e sim daquilo que dentro dele está.


Por algum motivo escolhi a imagem de uma nebulosa pra representar o post. Sempre gostei de nebulosas.


Indo direto ao ponto, ao vermos uma pessoa ou animal morto, é possível sentir aquele corpo sem vida, sem energia, sem nada, um completo vazio.
Sempre me questionei a respeito, mas ao ver o corpo físico da minha mãe morto, sem vida... parado, inerte, me fez não só questionar ainda mais, mas ter a certeza de algo. Ao contrário de muitos posts aqui do blog, este não é um post de dúvidas somente, mas de afirmação, de confirmação.

Tudo aquilo que minha mãe "era" aqui fisicamente, de fato se foi. A pele, a voz rouquinha, os olhos azuis, o sorriso dos lábios, o balançar dos cabelos. Sabemos exatamente pra onde foi tudo isso, não existe mais. Quem era aquela Gisele mãe da Angelica além de toda a matéria orgânica que aqui ficou?
A essência dela, aquela energia toda de quem era minha mãe já não estava mais ali.

Somos TODOS feitos da mesma matéria. E todos fomos feitos submetidos ao mesmo projeto de arquitetura e engenharia.
Tendo essa percepção, fica claro... é como um insight óbvio. Mais que óbvio. Nosso corpo é de fato uma "roupa".
Uma veste.
E das mais bem elaboradas!
E ao deixarmos o corpo no momento da morte, nossa veste fica aqui como aquela roupa que já não nos serve mais... furada, rasgada, impossível de ser usada...  como o casulo abandonado pela borboleta.

O mundo espiritual precisa dela pra interferir e viver aqui. (essa frase me veio imediatamente na cabeça enquanto a escrevia).

Mundo espiritual...

Isso me lembra uma outra frase que me veio na cabeça, como se alguém me dissesse, ao observar o corpo de uma conhecida que havia falecido:
"Somos um mundo orgânico dentro de um mundo espiritual".

Mundo espiritual... para os céticos... Energia.

Quase não pensamos nele, não?

Você já se perguntou quem você é, além do seu corpo?

Não vale responder sua profissão, nem seu tom de pele, seu porte físico, muito menos sua nacionalidade.
Quem é a parte do plano espiritual fundida com seu corpo físico?
Quem é o seu Ser espiritual?
O que ele faz aqui?

Sua essência é seu Ser espiritual.

Seriam os sentimentos a sua essência? 
Mas emoções podem ter influência do próprio corpo físico através de substâncias como hormônios, enzimas e uma infinidade de vidinhas do microcosmo. Então, o corpo influencia o seu Ser espiritual? Ou é seu Ser espiritual que influencia seu corpo?
Talvez seja as duas coisas juntas.

E aí que nos deparamos com algo bem complexo, pois há uma fusão de uma engenharia de ponta com uma energia "pensante".

Parece que estou viajando nos pensamentos, mas nunca estive tão lúcida.
É como visualizar algo mas não o saber explicar.

Sabemos que existe um Cosmos infinito Terra à fora... com planos de existência que transcendem inclusive o tempo e o espaço, talvez este mundo espiritual esteja nas entrelinhas de tudo isso (outra frase que me veio imediatamente na cabeça) ou em algum buraco de minhoca (risos!)

E se esse plano existe, que acredito que exista... fazemos parte dele, pois carregamos parte dele em nós.

Olhe-se no espelho.
Feche os olhos...
Sinta...
Quem é você? 
Medite. Sinta seu coração bater...
Sua mente adormecer...e seu Ser falar...
Quem é o outro? A pessoa pela qual nos apaixonamos, que amamos, que temos amizade, quem é o outro além daquilo que se vê?

Nos manifestamos sim através do corpo... daquilo que somos feitos...mas somos muito mais que isso.
Somos muito mais do que aquilo que aqui vira pó um dia.

Quem sou eu além destes ossos, dessa pele, desses órgãos, desse líquido chamado sangue percorrendo o corpo... coisas orgânicas que TODOS temos em comum.
Todos.
Uma vestimenta do mesmo tecido, da mesma forma de costura, de produção, de criação e de decomposição.
Uma veste importante sim, de imenso valor, linda, rica... mas finita. Um dia aqui sem vida ela fica.
E vamos pra outro lugar...

Quem é esse Ser que volta? Que viajará nos planos à fora. Sabe-se lá onde. Lugares se tem de monte.